“Omni experience”​ na Educação

Por muitos anos as empresas do setor de educação prioritizaram uma metodologia singular, em razão de aumentar o senso de propriedade intelectual e posicionar o valor de mercado da instituição. A empresa X oferece a metodologia X com materiais X, empresa Y oferece a metodologia Y com seus materiais Y e etc. Essas abordagens foram a base da decisão de muitas pessoas para escolher uma experiência de ensino ao longo de vários e vários anos. Não sou crítico disso. Eu, por exemplo, prefiro escolas e universidades com uma abordagem PBL (Project/Problem-Based Learning) por conta da experiência ‘hands-on’ porque funciona mais para mim. Para algumas pessoas, acredite se quiser, o modelo austríaco tradicional, com filas de cadeiras e um professor na frente de um quadro em cima de um tablado, é mais apreciado. Ou seja, não existe o conceito ‘one-size-fits-all’ – você não vai ter uma metodologia 100% inclusiva com a particularidade de cada aluno… algumas pessoas podem não gostar do aspecto social de uma metodologia mais engajada e dinâmica. E para matar o suspense sobre o título – de forma disruptiva com o desenvolvimento – o conceito de Omni Experience que vem do Customer Service e Experience de empresas ao atender clientes, é um formato que pode ser ‘ajustado’ para atender alunos de forma mais ampla, sendo assim talvez um “Omni Teaching” ou “Omni Education”.

Hoje em dia temos a sobreposição da geração X, Y e Z (e sem contar os ‘Baby Boomers’ que ainda estão 100% na ativa) em diferentes experiências na tecnologia, ensino e nos ambientes de trabalho. O que nos leva a refletir: “Em meio a tantas características singulares de cada geração, como fazer um ambiente de ensino fluido o suficiente para que uma instituição de ensino possa impactar cada um?” A resposta é um tanto simples: Chega de estruturar sua instituição com uma única metodologia. Sim, você me escutou. É um tanto arrogante pensar que a metodologia X é melhor que Y e por aí vai. Profissionais da área de T.I sabem muito bem que dominar apenas uma linguagem ou uma única estrutura de dados os tornam obsoletos rapidamente. Profissionais da área de educação devem ter o mesmo prisma para avaliar esta questão, pois as gerações estão mudando seu padrão de consumo e aprendizado – enquanto algumas estrutruras tradicionais ainda são mantidas e desejadas – ao lado da tecnologia e outras inovações em diferentes áreas, como gestão e cultura por exemplo. Logo, uma metodologia única é um ‘tiro no pé’ caso você queira ter uma abordagem assertiva e inclusiva. Saber transitar entre diferentes métodos com diferentes materiais (e integrações entre estes) é essencial para saber ler os seus alunos a fim de implementar esses pontos; isto acaba se tornando uma habilidade pivotante no meio educacional.

Quero apenas deixar claro que eu entendo os desafios de escolas tradicionais mudarem a metodologia em razão do seu plano de negócio e pode ser muito custoso com o recrutamento, treinamentos, materiais e até mesmo no operacional frente aos contratos com os alunos, mas educadores, não se esqueçam, educação é um produto onde a experiência, feedback e resultado são as maiores métricas de sucesso – apesar de sempre estarmos preocupados com o número de matrículas. Encerro o desenvolvimento deste artigo deixando claro que o profissional da educação – seja gestora, educador ou até mesmo investidores – deve entender que apostar em diferentes tecnologias e metodologias é essencial diante da integração entre diferentes gerações e com os recursos tradicionais no ensino, que em meio a pandemia do COVID-19 se mostraram ainda essenciais para um desenvolvimento estruturado do aluno.

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